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Melhoramento
Genético
Autor : Flávio
Borela Pena
Melhoramento genético em bovinos de corte,
início do melhoramento animal no Brasil
Ao final da primeira década deste século, consolida-se a
preocupação do meio científico para com o melhoramento genético
animal. Neste período, o país experimentou grande esforço
governamental, representado pela fundação de diversas estações
experimentais, cuja finalidade básica era a seleção genética.
Assim, é que em Nova Odessa, SP, foi instalado um posto pecuário
com o objetivo de selecionar tanto o gado Mocho Nacional
quanto o Caracu.
Vale ressaltar que com o surgimento desta consciência, o peso
final, pela importância econômica crescente que vinha
apresentando, destacou-se como meta a ser seguida. Portanto,
este constitui-se como elemento fundamental de seleção.
Deu-se, assim, início àquela que pode ser denominada era do
desenvolvimento ponderal. A este tempo, possivelmente em razão
dos resultados observados nos produtos oriundos dos
cruzamentos entre o gado existente no Brasil e o gado zebuíno
de importação recente, cresce a demanda por informações de
cruzamentos deste gado com raças européias.
Assim, a necessidade de participação do cruzamento no
processo de melhoramento genético fez com que o governo do
Estado de São Paulo, em 1915, estabelecesse a criação de
gado exótico em algumas estações experimentais. Esse
trabalho teria, além da função de selecionar aquelas raças
mais adaptadas ao meio brasileiro, a de avaliar seus
cruzamentos com o gado Nacional. Neste período, segundo
Caielli (1991), em Nova Odessa, além da seleção do Caracu e
Mocho Nacional, iniciou-se a criação de "Polled
Angus", "Hereford" e "Schwytz".
Criava-se, ainda, na fazenda Amparo, localizada no Estado de São
Paulo, o gado "Red Poll".
Consolidação do trabalho e resultados experimentais
A década de 1940 caracterizou-se pelo trabalho dedicado que
tinha, como objetivo primordial, o desenvolvimento de uma raça
nacional que aliasse à rusticidade e adaptabilidade do zebu,
o maior potencial de produção do gado europeu. Assim, é que
se constituíram as raças Canchim e Ibagé, que foram
seguidas nas décadas subseqüentes pelas raças Pitangueiras,
Lavínia, Santa Gabriela e outras. Neste período floresceram
os trabalhos voltados à caracterização biológica no
tocante a características reprodutivas e desempenho ponderal
tanto quanto os estudos comparativos. A fase seguinte
caracterizou-se pelos estudos relacionados com a determinação
de parâmetros genéticos que foram seguidos de trabalhos mais
intensos de cruzamentos.
A partir de 1949, iniciaram-se os trabalhos integrados em
bovinos de corte com maior participação do produtor. Sob a
coordenação de Fidelis A. Neto e Afonso G. A. Tundisi,
tiveram início os concursos de boi gordo. Tais eventos tinham
como objetivo precípuo orientar os criadores e invernistas na
seleção e criação de animais capazes de produzir carne o
mais precocemente possível (Martins, 1991).
No início dos anos de 1950, consolidou-se a Estação
Experimental de São José do Rio Preto, SP, iniciando-se o
trabalho de seleção do gado nelore. Neste período, em
Ribeirão Preto, SP, foi criada uma estação experimental
voltada para seleção e criação do gado gir. A seleção do
gir tem, no entanto, na estação de Umbuzeiro na Paraíba,
PB, seu primeiro centro de seleção. Segundo Domingues
(1966), a seleção deste gado se iniciou, nesta estação
experimental, na década de 1930. Ainda no final desta década,
foi criada em Uberaba, MG, a Fazenda Experimental de Criação.
Assim, segundo o autor, essas duas estações são as
pioneiras no estudo e melhoramento do gado zebu no Brasil.
Testes de progênie de touros zebuínos também foram
iniciados nesta década, e alguns resultados destes foram
discutidos por Carneiro & Memória (1959). Nesta mesma época,
a integração universidade-produtor possibilitou o
desenvolvimento de estudos de avaliação e caracterização
das diversas raças bem como o estudo dos efeitos fixos com a
finalidade de estabelecimento de possíveis fatores de correção,
como atestam os resultados do trabalho de Mattoso (1959). Este
autor, utilizando informações coletadas de 1949 a 1956,
estudou o desenvolvimento ponderal de animais das raças
Indubrasil, Gir, Nelore e Guzerá pertencentes à Fazenda
Experimental de Criação de Uberaba e concluiu que ano, período
do ano e sexo eram fontes que influenciavam os pesos do
nascimento aos 30 meses de idade independentemente da raça,
sendo que os machos eram sempre mais pesados que as fêmeas.
Outra observação importante feita pelo autor diz respeito às
relações existentes entre os pesos em diferentes idades. Uma
das conclusões do trabalho sugere que as provas de ganho de
peso podem ser conduzidas com animais jovens, uma vez que os
pesos às diversas idades são correlacionados. Ainda como
conclusão deste trabalho observou-se que raça foi um
importante fator de variação de peso em todas as idades
estudadas. A Gir foi a mais leve das quatro raças. A Nelore
apesar de mais pesada que a Gir foi mais leve que Indubrasil e
Guzerá. As raças Indubrasil e Guzerá não foram diferentes
entre si (Tabela 1).
mais: http://www.ufv.br/dbg/trab2002/MELHOR/MHR021.htm
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